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Quando o cenário global entra na operação: como crises internacionais redefinem custos e decisões de compras

Em um mundo cada vez mais interconectado, crises globais deixaram de ser eventos distantes para se tornarem variáveis diretas na operação das empresas.

Conflitos internacionais, tensões geopolíticas e instabilidades no fornecimento de energia têm provocado oscilações relevantes no preço de commodities estratégicas e poucas são tão sensíveis quanto o combustível.

No setor aéreo, essa dependência é ainda mais evidente. O querosene de aviação (QAV), derivado do petróleo, não é apenas um insumo operacional: é um dos principais determinantes da estrutura de custo das companhias.

Segundo a International Air Transport Association (IATA), o combustível pode representar entre 20% e 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea, variando conforme o cenário de mercado, o tipo de operação e a eficiência da frota.

Em momentos de estabilidade, essa já é uma variável crítica.

Em cenários de crise, ela se torna decisiva.

 

O efeito cascata das crises globais sobre o combustível

Conflitos internacionais, como guerras ou sanções econômicas, afetam diretamente a produção, distribuição e precificação do petróleo. Isso ocorre por diferentes vias:

  • Redução da oferta global
  • Aumento do risco logístico
  • Pressão sobre cadeias de distribuição
  • Especulação nos mercados futuros

 

Segundo análises da International Energy Agency (IEA), eventos geopolíticos recentes foram responsáveis por picos significativos no preço do petróleo e seus derivados, impactando diretamente setores dependentes de energia.

No caso do Brasil, esse efeito se traduz rapidamente no aumento do diesel e do querosene de aviação, insumos fundamentais para transporte e logística.

E o impacto não é apenas financeiro. Ele é operacional.

 

Margens apertadas, decisões críticas

O setor aéreo já opera, historicamente, com margens reduzidas. De acordo com relatórios da própria IATA, a margem líquida global das companhias aéreas costuma ficar na faixa de 2% a 5%, dependendo do ciclo econômico.

Isso significa que qualquer variação relevante no custo de combustível pode:

  • Comprometer a rentabilidade de rotas;
  • Exigir reajustes tarifários;
  • Redefinir planejamento de malha aérea;
  • Impactar diretamente a competitividade.

 

Em cenários de alta volatilidade, decisões que antes eram operacionais passam a ser estratégicas.

A pergunta deixa de ser apenas “quanto custa abastecer” e passa a ser:

Como proteger a operação diante de um custo imprevisível?

 

O papel estratégico da área de compras

É nesse ponto que a área de compras deixa de ser uma função transacional e assume um papel estratégico dentro das organizações.

Em contextos de crise global, comprar bem não significa apenas negociar preço. Significa:

  1. Antecipar movimentos de mercado
  2. Avaliar riscos geopolíticos
  3. Diversificar fornecedores
  4. Estruturar contratos com maior resiliência
  5. Trabalhar com cenários e projeções

 

Segundo a Deloitte, empresas que estruturam áreas de compras estratégicas conseguem reduzir impactos de volatilidade e aumentar sua capacidade de resposta em ambientes incertos.

No caso do combustível, isso pode envolver estratégias de hedge, contratos de longo prazo com cláusulas flexíveis, monitoramento constante de indicadores globais e integração com planejamento operacional. A decisão de compra passa a ser uma decisão de risco.

 

Volatilidade, risco e cadeia de suprimentos

O impacto do combustível não se limita às companhias aéreas. Ele se propaga por toda a cadeia de suprimentos.

O aumento no custo do diesel, por exemplo, afeta o transporte rodoviário, a logística de distribuição, os custos industriais e o preço final de produtos. 

Segundo o World Bank, choques no preço de energia têm efeito direto na inflação global e na estrutura de custos das cadeias produtivas.

Isso reforça um ponto central: o custo do combustível não é apenas uma variável isolada, ele é um multiplicador de impacto.

Para áreas de compras, isso exige uma visão mais ampla, que considere:

  • Interdependência entre fornecedores;
  • Sensibilidade da cadeia a variações externas;
  • Capacidade de adaptação da operação;
  • Exposição a riscos logísticos.

 

Da reação à antecipação

Empresas que atuam de forma reativa tendem a absorver o impacto quando ele já está materializado. Já aquelas que operam com maturidade em supply chain e compras conseguem antecipar movimentos e reduzir exposição.

Isso envolve:

  • Monitoramento contínuo de cenários globais;
  • Uso de dados para simulação de impacto;
  • Integração entre compras, operação e finanças;
  • Governança estruturada de fornecedores.

 

Em um ambiente volátil, previsibilidade não significa eliminar riscos, significa estar preparado para eles.

 

O papel da Orbe na gestão de cenários complexos

A atuação da Orbe se conecta diretamente a esse contexto. Mais do que acompanhar indicadores, a empresa atua na leitura integrada entre operação, contratos e cadeia de suprimentos, ajudando seus clientes a transformar variáveis externas em decisões estruturadas.

Isso inclui:

  1. Análise de impacto operacional de custos
  2. Apoio na estruturação de contratos mais resilientes
  3. Monitoramento de performance e eficiência
  4. Identificação de riscos ocultos na operação
  5. Fortalecimento da governança de supply chain

Em cenários de instabilidade, a diferença entre absorver impacto e sustentar resultado está na capacidade de leitura e resposta.

 

Em um mundo instável, comprar bem é operar melhor

Crises globais continuarão acontecendo e oscilações no preço do combustível também.

A diferença não está no cenário, está na forma como as empresas se posicionam diante dele.

Organizações que tratam compras como função estratégica, que integram dados, operação e risco, e que estruturam decisões com visão de longo prazo tendem a atravessar períodos de instabilidade com mais consistência.

As demais continuam reagindo. E, em um ambiente onde o combustível pode representar até 40% do custo, reagir pode sair caro demais.

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